terça-feira, 14 de junho de 2016

terça-feira, 7 de junho de 2016

Na rota Queiroziana












O dia acordou cinzento e fresco
Mesmo assim, rumamos douro acima.
E por entre montanhas pintadas
Com cores de primavera
A nossa visão se deleitou…
Num colorido sonho de quimera.

E os verdes vinhedos!
Plantados de par a par
Como soldados formados
Em parada militar
Dão encanto á paisagem
De forma peculiar.

Mas, nosso destino é Tormes
Eça! A referência e paixão.
A sua obra, motivo
Da nossa deslocação.

A quinta de Vila Nova
Foi motivo e inspiração
Para Eça escrever seus livros
De cultura e ficção.

Porque as vezes ficção
É mordaz e lisonjeira
É realidade tratada
Com roupagem domingueira

A Quinta de vila nova
Tem encanto e muita história
Transformada em santuário
De objectos e memória.

Mas Tormes tem muito mais
Ambiente bem tratado
Em beleza, e na limpeza
Como em espaço sagrado.

Referência à sua obra
É sempre pobre e pequena
Por isso apenas digo

Ó Eça! Valeu a pena.


Delfim Azevedo

segunda-feira, 23 de maio de 2016

terça-feira, 5 de abril de 2016

Eça de Queiroz



Póvoa do Varzim, 1845 - Paris, 1900


A Cidade e as Serras

Romance editado postumamente, em 1901, sem que tenha sido integralmente revisto pelo autor, onde Eça de Queirós desenvolve temáticas e estratégias já aplicadas no conto "Civilização", de 1892. A obra apresenta a evolução do protagonista, Jacinto, indivíduo de classe social elevada e extremamente rico, que, tendo vivido uma existência de tédio em Paris, apesar de rodeado por todo o conforto e por todo o tipo de inovações técnicas, se fixa na sua propriedade rural de Tormes, na serra portuguesa, encontrando aí o equilíbrio e a felicidade. Este percurso de regresso às origens assume várias conotações simbólicas e ideológicas, que têm sido amplamente relevadas e discutidas: a oposição cidade-campo; a dicotomia nacionalismo-cosmopolitismo ou francesismo; a discussão entre valores tradicionais e valores modernos (o que justificou a apropriação do romance por parte das correntes neorromânticas, que o interpretaram como um incentivo ao reaportuguesamento).

Fonte: Infopédia

terça-feira, 1 de março de 2016




Manhã Submersa é um romance um pouco triste e cruel que retrata a vida de um conjunto de seminaristas oriundos de famílias pobres ou remediadas que se encontram num beco sem saída, entre uma suposta perspectiva de vida boa mas cheia de limitações em contraste com uma suposta liberdade em más condições de vida. Seminarista à força, ou privilegiado eleito a partir de um capricho de pessoas ricas e austeras, António Borrralho sofre a obrigação de uma vocação que não sente, encurralado pela mãe que sonha com uma velhice mais confortável em virtude da prometedora carreira eclesiástica do filho, e uma tutora que o escraviza na religião mesmo em períodos de férias, benemérita que faz pagar bem alto o preço de ajudar uma família que vive na miséria.
Num mosteiro onde também a austeridade impera, por meio de regras e caprichos de padres que também têm as suas obsessões, aulas de latim apimentadas por lutas entre facções criadas pelos educadores, ambientes de isolamento mas simultaneamente de criação de um rebanho dócil de seminaristas a todo o preço, geram os mais variados tipos de angústias e sentimentos negativos, atenuados em parte por algumas amizades e também por rivalidades que distraem os rapazes do ambiente deprimente em que se encontram. As atitudes de revolta, algumas mais premeditadas, outras longamente alimentadas em silêncio e depois precipitadas, são uma constante do comportamento dos seminaristas ao longo dos vários anos que António Borralho aguenta a sua estada no seminário.

O estado emergente da adolescência, as tentações da carne a que tem que fugir a todo o custo, as provocações pérfidas e degradantes de várias pessoas entre os quais os seus antigos amigos e pessoas da família da sua tutora, indiciam um desprezo ao seu estado que o mina por fora como por dentro, que a pouco e pouco leva António a consolidar uma decisão de ruptura que o colocará de volta ao seu destino desgraçado mas liberto, preferindo a crueza da realidade á hipocrisia do meio homem sem vida. Entre as dúvidas dos amigos e as suas próprias, no descobrir da existência como homem e dos prazeres e armadilhas que a vida oferece, enleado numa teia de acontecimentos que não controla e onde se sente um joguete, a longa introspecção acaba por ser um jogo de hesitações onde só um acto repentino, irreflectido e irreversível, fruto do ódio, acaba por o colocar no caminho certo do seu destino.

 ver Fonte

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Vergílio Ferreira (1916-1996)






O orgulho não é um exclusivo dos grandes países, porque ele não tem que ver com a extensão de um território, mas com a extensão da alma que o preencheu. A alma do meu país teve o tamanho do mundo. Estamos celebrando a gesta dos portugueses nos seus descobrimentos. Será decerto a altura de a Europa celebrar também o que deles projectou na extraordinária revolução da sua cultura. Uma língua é o lugar donde se vê o mundo e de ser nela pensamento e sensibilidade. Da minha língua vê-se o mar. Na minha língua ouve-se o seu rumor como na de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto. Por isso a voz do mar foi em nós a da nossa inquietação. Assim o apelo que vinha dele foi o apelo que ia de nós. E foi nessa consubstanciação que um novo espírito se formou, como foi outro o espírito da Europa inteira na reconversão total das suas evidências.
 Excerto do texto «A Voz do Mar», lido por Vergílio Ferreira em 1991, na cerimónia em que lhe é atribuído o Prémio Europália (Bruxelas).

Fonte: Ciberdúvidas