segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

António Vieira



O céu estrela o azul e tem grandeza.
Este, que teve a fama e à glória tem,
Imperador da lingua portuguesa,
Foi-nos um céu também

No imenso espaço seu de meditar,
Constelado de forma e de visão
Surge, prenúncio claro do luar,
El-Rei D. Sebastião.

Mas não, não é luar: é luz do etéreo.
É um dia; e, no céu amplo de desejo,
A madrugada irreal do Quinto Império
Doira nas margens do Tejo

Fernando Pessoa, in Mensagem

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Padre António Vieira


António Vieira (português europeu) ou Antônio Vieira (português brasileiro) (Lisboa, 6 de fevereiro de 1608 — Salvador, 18 de julho de 1697), mais conhecido como Padre António Vieira ou Padre Antônio Vieira, foi um religioso, filósofo, escritor e orador português da Companhia de Jesus.
Uma das mais influentes personagens do século XVII em termos de política e oratória, destacou-se como missionário em terras brasileiras. Nesta qualidade, defendeu incansavelmente os direitos dos povos indígenas combatendo a sua exploração e escravização e fazendo a sua evangelização. Era por eles chamado de "Paiaçu" (Grande Padre/Pai, em tupi).
António Vieira defendeu também os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos (judeus convertidos, perseguidos à época pela Inquisição) e cristãos-velhos (os católicos tradicionais), e a abolição da escravatura. Criticou ainda severamente os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição.
Na literatura, seus sermões possuem considerável importância no barroco brasileiro e português. 

Fonte - Wikipédia

domingo, 3 de janeiro de 2016

Receita de Ano Novo


       
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

António Gedeão (1906-1997)


Afirmou-se como um dos mais brilhantes e talentosos criadores lusófonos do século XX.
Rómulo Vasco da Gama de Carvalho tem uma obra literária sob o pseudónimo de António Gedeão. 
Foi professor, pedagogo e historiador da ciência, e o seu alter-ego literário atravessou todas as convulsões e acontecimentos marcantes do nosso século. Revelou, nos seus poemas, um  espírito extremamente marcado pelo cepticismo e pela ironia e uma simbiose perfeita entre a ciência e a poesia, a vida e o sonho e a lucidez e a esperança.

Vida e Obra de António Gedeão/Rómulo de Carvalho

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Idalécio Cação


Ficcionista e poeta. Viveu até muito tarde na sua aldeia, mas quando se radicou em Aveiro, a partir de 1954, interessou-se pelos problemas culturais e, como trabalhador-estudante, pôde frequentar o curso de Filologia Românica, em que se licenciou em 1977 pela Universidade de Coimbra. Exerceu depois o ensino em escolas preparatórias e, desde 1984 na Universidade de Aveiro, onde regeu a cadeira de Didáctica do Português.

Esteve ligado ao Círculo de Teatro de Aveiro (nos anos sessenta) e participou activamente em jornais e revistas, onde tem dispersas poesias e contos. Fundou e coordenou os suplementos literários «Sal Gema» do Jornal do Oeste (Rio Maior) e «Diálogo» do Jornal Beira-Vouga (Albergaria-a-Velha). Foi um dos responsáveis pelos Cadernos de Poesia (1971). Mas é no domínio da ficção que a sua bibliografia merece atenção, sobretudo por ser demasiado patente nos seus contos um profundo sentido de compreensão e denúncia dos problemas da sua região natal, isto é, de toda a Gândara figueirense. 

É sócio da Associação Portuguesa de Escritores, da Associação Cultural Sol XXI, de cuja revista é delegado em Aveiro, da Associação de Jornalistas e Escritores da Bairrada, de que foi sócio fundador e membro da Comissão Instaladora, da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação, do Sindicato dos Professores da Região Centro e da Quercus.


in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. VI, Lisboa, 1999