terça-feira, 17 de março de 2015

A propósito da primavera

Quando Vier a Primavera

Quando vier a Primavera, 
Se eu já estiver morto, 
As flores florirão da mesma maneira 
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. 
A realidade não precisa de mim. 

Sinto uma alegria enorme 
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma 

Se soubesse que amanhã morria 
E a Primavera era depois de amanhã, 
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. 
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? 
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; 
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. 
Por isso, se morrer agora, morro contente, 
Porque tudo é real e tudo está certo. 

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. 
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. 
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. 
O que for, quando for, é que será o que é. 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 

Heterónimo de Fernando Pessoa 

domingo, 1 de março de 2015

Poemas de O´Neill

Alexandre O´Neill




Alexandre Manuel  Vahia de Castro O'Neill de Bulhões  - GOSE  (Lisboa, 19 de Dezembro de 1924 — Lisboa, 21 de Agosto de 1986) foi um importante poeta do movimento surrealista português. Era descendente de irlandeses.

Autodidacta, O'Neill foi um dos fundadores do Movimento Surrealista de Lisboa. É nesta corrente que publica a sua primeira obra, o volume de colagens A Ampola Miraculosa, mas o grupo rapidamente se desdobra e acaba. As influências surrealistas permanecem visíveis nas obras dele, que além dos livros de poesia incluem prosa, discos de poesia, traduções e antologias. Não conseguindo viver apenas da sua arte, o autor alargou a sua acção à publicidade. É da sua autoria o lema publicitário «Há mar e mar, há ir e voltar». Foi várias vezes preso pela polícia política, a PIDE.

Fonte: Wikipédia, 1 de Março de 2015

Mais sobre o autor:

Um dos poemas mais conhecidos de Alexandre O´Neill é "Um Adeus Português", escrito em 1950. Na ligação abaixo, para o Blogue Folha de Poesia, poderão ler o poema e conhecer a história que lhe deu Origem.


 Folha de Poesia


sábado, 21 de fevereiro de 2015

António Alçada Baptista, 1927-2008



Alçada Baptista é o escritor de quem vamos falar na próxima sessão.
 Advogado, escritor e cronista, foi um dos fundadores da Revista O tempo e o Modo, diretor da Moraes Editora e do Jornal  O Dia entre outros projetos, vários, em que participou ao longo da sua vida. Auto designava-se como "escritor de afetos" e possuidor de "uma sensibilidade feminina".

Para saber mais sobre Alçada Baptista:
Vida e Obra

Notícia no Jornal Público, a propósito da sua morte a 7 de Dezembro de 2008


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

João Villaret - "A Procissão", de António Lopes Ribeiro (RTP)

Leituras



"Um romance extraordinário sobre o conflito israelo-árabe retratando personagens inesquecíveis, cujas vidas se entrelaçam com os momentos-chave da história a partir do final do século XIX a meados do século XX, e recriando a vida em cidades emblemáticas como São Petersburgo, Paris e Jerusalém. Aqui Julia Navarro conduz o leitor através de relações duras de homens e mulheres que lutam por uma parcela de terra onde possam viver em paz."
Fonte: www.wook.pt