segunda-feira, 8 de maio de 2017

Dia da mãe

Todas as pessoas têm direito a descanso, menos as mães. Para cada tarefa, profissão ou encargo há direito a uma folga, menos para as mães. Se alguma mãe demonstrar a mínima fadiga de ser mãe, haverá logo uma besta, ignorante de limpar a baba e de parir, que se oferecerá para a pôr em causa. Não é mãe, não sabe ser mãe, não foi feita para ser mãe, dirá. Mas, se todas as pessoas têm direito a descanso, será que as mães não são pessoas? A culpa é nossa. Sim, a culpa é das mães. Deixámos que fossem os filhos a definir-nos.

José Luís Peixoto in "Em Teu Ventre"

domingo, 26 de março de 2017

Mulheres escritoras - Svetlana Alexievich

Prémio Nobel da Literatura 2015

Nasceu em 1948 na Ucrânia, tendo crescido em Minsk, capital da Bielorrúsia onde vive atualmente. Jornalista e escritora é autora de cinco livros e de 20 guiões de documentários. Recebeu importantes galardões internacionais, antes da sua consagração como prémio Nobel da Literatura em 2015. Criou um novo género literário de não ficção que é inteiramente seu. A sua prosa documental é sempre escrita através de centenas de entrevistas. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Mulheres Escritora - Aghata Christie (1890-1976)




Agatha Christie é, e sempre será, a Rainha do Crime. Soberana dos romances policiais, vendeu bilhões de livros pelo mundo e foi traduzida para 45 línguas, sendo ultrapassada em vendas somente pela Bíblia e por Shakespeare. Nasceu Agatha Mary Clarissa Miller, em 15 de setembro de 1890, na cidade inglesa de Torquay, mais precisamente na mansão Ashfield. Cresceu ouvindo as histórias de Conan Doyle, Edgar Allan Poe e Leroux, contadas por sua irmã mais velha, Madge. Ler mais...





segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Mulheres Escritoras


 Pearl S. Buck

 (Hillsboro, Vírgínia Ocidental, 26-06-1892 - Danby, Vermont, 06-03-1973)


Escritora norte-americana vencedora do Prémio Pulitzer de ficção com o romance A Boa Terra, em 1932 e vencedora do Prémio Nobel da Literatura em 1938 (primeira mulher norte-americana a receber este prémio).
Passou a sua infância na China, tendo aprendido a língua chinesa antes da língua inglesa. Viveu parte da sua vida no oriente e outra parte nos Estados Unidos. Lutou pelos direitos das mulheres e pela melhoria das condições de vida das crianças asiáticas, bem como pela igualdade racial.  Leccionou Literatura Inglesa em várias Universidades Chinesas.
Foi impedida de entrar na China por ter sido considerada, pelo governo revolucionário, de ser uma agente do imperialismo. Atualmente os meios culturais chineses empenham-se na reabilitação da sua memória e na casa onde viveu, em Shangai, existe um museu em sua homenagem.
Autora de uma vasta obra, mais de uma centena de livros, foi-lhe atribuído o prémio Nobel em 1938 "pela riqueza das suas descrições da vida camponesa na China e pelas obras primas da sua bibliografia". Juntamente com o marido criou uma fundação com o seu nome.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Natal - Poesia

Chove é dia de Natal

Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal.
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
                                                                                  Fernando Pessoa

Quando um Homem Quiser

Tu que dormes à noite na calçada do relento
numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
és meu irmão, amigo, és meu irmão

E tu que dormes só o pesadelo do ciúme
numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
e sofres o Natal da solidão sem um queixume
és meu irmão, amigo, és meu irmão

Natal é em Dezembro
mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
é quando um homem quiser
Natal é quando nasce
uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que há no ventre da mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
tu que inventas bonecas e comboios de luar
e mentes ao teu filho por não os poderes comprar
és meu irmão, amigo, és meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
és meu irmão, amigo, és meu irmão


Ary dos Santos, in 'As Palavras das Cantigas'

Último Poema

É Natal, nunca estive tão só.
Nem sequer neva como nos versos
do Pessoa ou nos bosques
da Nova Inglaterra.
Deixo os olhos correr
entre o fulgor dos cravos
e os dióspiros ardendo na sombra.
Quem assim tem o verão
dentro de casa
não devia queixar-se de estar só,
não devia.

Eugénio de Andrade, in 'Rente ao Dizer'

Ladainha dos Póstumos Natais

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito


David Mourão-Ferreira, in 'Cancioneiro de Natal'